Em sendo o Espiritismo uma doutrina possuidora de respostas elucidativas para as questões desafiadoras da vida, de instrumentos práticos capazes de ajudar aos que sofrem, desde que, honestamente, queiram ajudar-se e ser ajudados, é natural que um número crescente de pessoas busquem-no com o propósito de solucionar seus problemas e dificuldades existenciais. Segundo a FEB — Federação Espírita Brasileira (1), “o Centro Espírita deve criar condições para um eficiente atendimento a todos os que o procuram com o propósito de obter esclarecimento, orientação, ajuda ou consolação.”

O Atendimento Fraterno é a concretização dessa recomendação Febiana, fundamentada no Evangelho, objetivando assistência individualizada aos que sofrem, através do diálogo espontâneo, confidencial e privativo. Trata-se de atividade também conhecida no Movimento Espírita como “entrevista”, não devendo ser confundida com as técnicas conhecidas como “relações de ajuda”, embora o conhecimento dessas técnicas, e de outras das áreas da Psicologia ou da Comunicação, possa facilitar o trabalho de quem se dedica a tão nobre labor.

“Coloco em primeira instância o consolo que é preciso oferecer aos que sofrem, erguer a coragem dos caídos, arrancar um homem de suas paixões, do desespero, do suicídio, detê-lo talvez no limiar do crime! Não vale mais isto do que os lambris dourados?” Faz bem, e muito bem, refletir no que Allan Kardec falou na mesma ocasião: “Homens da mais alta posição honram-me com sua visita, porém nunca, por causa deles, um proletário ficou na antecâmara”.

Mais adiante ele adiu: “Guardo milhares de cartas que para mim mais valem do que todas as honrarias da Terra e que olho como verdadeiros títulos de nobreza”. (Cartas que, certamente, ele respondeu para levar a esperança aos aflitos que lhe buscaram o concurso seguro e afável).

Em Jesus temos o Atendente Fraterno perfeito que, além de ter ensinado às multidões, através de Seus inolvidáveis discursos, deixou-nos preciosas lições dialogadas, através das quais o Seu verbo de luz socorreu os indivíduos, cada um conforme a sua necessidade: o Moço Rico, a Samaritana, a Mulher Equivocada, Zaqueu, Joana de Cusa e tantos outros, libertando a todos, que se fizeram heróis no futuro. Se o Divino Mestre disse: “Vinde a mim todos vós que estais aflitos e

sobrecarregados”, também propôs: “Que vos ameis uns aos outros”. Isto como a dizer-nos assim: “Se estiverdes em condição, vinde diretamente a mim pelos caminhos formosos da oração, mas se vos sobrecarregardes a ponto de não achardes o caminho emocional da prece, recorrei a vosso irmão pois que através dele eu vos ajudarei”.

Apoiando-se nessa proposta os primeiros apóstolos da Palavra, no Cristianismo Primitivo, após suas pregações, ainda tocados pelas “línguas de fogo” inspiradoras da oratória finda, se punham à disposição para ouvir e aconselhar os irmãos de caminhada, encorajando-os para a luta. Eis o Atendimento Fraterno, ontem, hoje e sempre.

(1) Federação Espírita Brasileira


Salvador, agosto de 1997

A Equipe do Projeto Manoel Philomeno de Miranda


Atendimento Fraterno - Projeto Manoel Philomeno de Miranda
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